Salve-se quem tiver uma Mecedes!
4 Março, 2008
A revista Casa Vogue pode ser considerada talvez não tão felizmente assim, a melhor publicação mensal atual de arquitetura de interiores do Brasil. Afinal de contas, o mercado editorial do setor se tornou um monstro caquético que junta auto-ajuda-da-decoração com desfiles de projetos ‘jabazentos’ completamente insípidos e deslumbrados com o Alucobond e o vidro (’ainda esse assunto?’ diria João Perassolo). A Casa Vogue talvez seja a única que busca projetos com alguma personalidade no país, apesar de muitas vezes se entregar a modismos auto-inflingidos e babação de ovo para os bambambãs. Pode ser que a culpa seja da arquitetura brasileira em geral, mas isso não vem ao caso.
Todos os anos, a Casa Vogue lança duas edições especiais, uma em janeiro com o ‘melhor’ da decoração, e em fevereiro, o ‘melhor’ da arquitetura nacional. Essas publicações, que se propõem a ser o crème de la crème do assunto, como tudo nas terras americanas do sul, se tornaram um extenso e caro rol de projetos risíveis com espaços comprados a preço de eletrodoméstico de inox. Pouca coisa se salva, e geralmente são os projetos dos convidados, que praticamente prestam um favor à revista em colocar seu trabalho lá.
Tudo isso para dizer que está rolando maior bafafá em torno do projeto publicado na ultima edição de fevereiro pelo grande arquiteto Marcio Kogan,
que não teve dó em colocar seu projeto vencedor de menção honrosa em um concurso no ano passado: LePont Gucci. A proposta era que os concorrentes projetassem uma ponte de ligação entre o eminente Shopping Cidade Jardim e a Daslu, evitando uma pequena favela às margens do Rio Pinheiros. Claro que a história toda era uma gozação com o ’setor de luxo’ que devora o urbanismo de São Paulo, e o aparecimento de um projeto desses numa revista como essa foi a mais saborosa cereja do bolo possível. Até a Vejinha entrou no bate-boca e colocou o arquiteto on the stand.
Muito barulho por nada, porque os revoltadinhos da Grow com essa história são os mesmos que se pudessem não titubeariam em construir alguma das propostas. A nós mortais, e reles usuários de espaços públicos, resta nos divertir com esta e as outras propostas ‘guccíssimas’ apresentadas no concurso, e esperar o Dia do Índio para poder usufruir dessas regalias.