Guggenheim Hermitage Museum em Vilnius, de Zaha Hadid
27 Maio, 2008
Mais uma vez a arquiteta do momento, a iraquiana Zaha Hadid, levou para casa um dos maiores concursos atuais. É o novo museu de Vilnius, capital da Lituânia, que abrigará a Fundação Guggenheim, junto com o Museu Hermitage, de São Petesburgo. Dois dos maiores acervos do mundo juntos, coisa pouca.
No concurso também participaram o alemão Daniel Liebeskind e o italiano Massimiliano Fuksas, e os três projetos estarão em exibição até junho no Jonas Mekas Visual Arts Center. ‘A cidade (Vilnius) será a capital européia da cultura em 2009 e tem um longo histórico de patrocínio das artes.’ disse Zaha, ‘O museu será um lugar onde se poderá experimentar as idéias de galerias, complexidade espacial e movimento.’
O edifício projetado por ela é um volume único que dá continuidade à sua obra, trabalhando as linhas curvas expressando a fluidez e a velocidade. Pousado sobre um grande platô às margens do rio, o objeto construído se contrapõe ao skyline de grandes arranha-céus e oferece novos usos para a grande praça a sua volta. O volume coeso externamente é cortado por um grande canyon de luz no interior, que interliga as alas das galerias.



Já chamaram-no de um grande diamante bruto, mas eu penso que mais parece um órgão vivo, e cada dobra e protuberância do objeto representa uma veia por onde pulsa a arte.
Mais fotos da Ópera de Olso
9 Abril, 2008
Link da matéria com mais fotos da Ópera, e um pouco do conceito do escritório que fez o projeto: aqui.
Nova Ópera de Oslo por Snøhetta
9 Abril, 2008
Inaugura no dia 13 de abril a nova Ópera de Oslo, projeto do escritório norueguês Snøhetta, que fez a fantástica embaixada da Noruega em Berlim. Ainda não liberaram nada de material do projeto e as poucas fotos que estão rolando na internet foram liberadas pela própria administração da Ópera.
O projeto é lindo, obviamente, mas o tão festejado design escandinavo já fez tanta escola que este prédio acaba ‘entrando para o clube’ de uma série que vem pipocando na Europa nesta década. O exterior silencioso, límpo, quase gélido, criando paisagens minimal-futuristas, domina o horizonte e não permite que a cidade interfira nas perspectivas.
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O interior, ao contrário, é fluido e sinestésico. O uso de materiais aquece e oferece um pouco de matéria orgânica para não ser frio como o lado de fora. As curvas, as texturas e a iluminação criam ritmos sensuais que deslizam de longos percusos para espaços desproporcionalmente grandes, causando aquele estranhamento de que o espaço interno não condiz com o volume externo.





Parece que a arquitetura contemporânea está cansada do pós-modernismo e resolveu criar grandes espetáculos egomaníacos como faziam os modernistas. Como disse antes, mais uma obra magistral. MAIS uma. Talvez seja a hora de procurar outras fórmulas, não?
Jean Nouvel recebe o Prêmio Pritzker
1 Abril, 2008
O Prêmio Pritzker, o ‘Nobel’ da arquitetura, foi dado neste domingo para o arquiteto francês Jean Nouvel. Com 62 anos e uma carreira de fazer inveja a qualquer Niemeyer pela vasta abrangência de temas e locais, ele é hoje talvez um dos maiores ‘Starquitetos’ atuantes.
Seu primeiro grande projeto foi o Instituto do Mundo Árabe em Paris em 1987, com sua fachada tomada por muxarabis tecnológicos que controlam a entrada de luz natural no espaço interno. Desde então, o arquiteto foi chamado para toda sorte de projetos, como a Fundação Cartier, a Ópera de Lyon, o Centro Cultural de Lucerna, arranha-céus de Nova Iorque a Doha, e mais recentemente a primeira e inusitada filial do Museu do Louvre em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.


É ele também o arquiteto chamado para projetar a filial do Guggenheim em plena Baía de Guanabara, projeto que naufragou graças a um governo preguiçoso e aculturado e ambientalistas histéricos.


Apenas mais um arquiteto francês já tinha recebido o prêmio: Christian de Portzamparc, em 1994. Entre os jurados deste ano, estavam dois mestres também vencedores, o italiano Renzo Piano e o japonês Tadao Ando. Entre os brasileiros, temos também apenas dois: Niemeyer em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.
Exposição de arte móvel da Chanel
29 Março, 2008

Foi inaugurado neste mês, em Hong Kong, o Container de Arte Contemporânea Móvel da Chanel, com projeto da arquiteta iraquiana Zaha Hadid. Lançado na Bienal de Arte de Veneza do ano passado, finalmente o projeto abre suas portas e começa seu tour de 2 anos pela Ásia, Europa e América do Norte.
Partindo da iniciativa do inventivo Karl Lagerfeld, e unindo-se à uma das mais criativas arquitetas atuais e mais de 20 grandes artistas plásticos, o pavilhão é uma grande experiência sensorial e espacial, em busca do estranhamento e a novidade de quem visita um país novo. Partindo da forma espiral constantemente encontrada na natureza, os espaços são fluidos e dinâmicos, e a exposição se desenrola em um fluxo centrípeto, levando a uma área de eventos no centro.
A sensualidade escultural do edifício é conseguida graças a novos softwares de modelagem que oferecem fluidez no processo compositivo, e que têm respaldo das técnicas manufaturadas na hora da construção. As peças têm no máximo 2,5m de largura para facilitar sua desmontagem e transporte.



Zaha foi escolhida exatamente por quebrar com a estética pós-Bauhaus dominante até os dias de hoje de repetição de peças industriais ordenadamente, criando poesia com a arquitetura.
Concurso para o aniversário da Torre Eiffel
26 Março, 2008
Saiu o resultado do concurso da comemoração dos 120 anos da mundialmente famosa Torre Eiffel, proposto pela Société d’Exploitation de la Tour Eiffel. O vencedor foi o escritório Serero Architects, com um projeto que não poderia ser mais surpreendente e ao mesmo tempo polêmico, considerando que estamos mexendo no âmago do orgulho francês.
A torre, que hoje é o maior emblema do turismo arquitetônico mundial, foi concluída em 1889 pelo engenheiro Gustave Eiffel como uma base para comportar os mais diversos equipamentos para estudos relacionados à gravidade e à força do vento, sendo portanto, capaz de abarcar inúmeras vezes o peso suportado hoje. Tanto que até a Primeira Guerra Mundial, a torre servia de suporte para inúmeras antenas de rádio com transmissão para todo o país. Com seu sucesso do seu potencial turístico, a estrutura centenária foi despida de suas capacidades físicas e científicas, mas se viu refém de seu próprio sucesso, e hoje opera em capacidade máxima, deixando seus visitantes esperando até mais de uma hora por uma viagem ao topo.
Tendo estas premissas em mãos, unindo tecnologia de ponta e uma boa dose de ousadia, o escritório vencedor propõe uma plataforma temporária que dobra a área do terceiro andar da torre (de 280 para 580m2), e com isso reduz as filas no térreo. A estrutura é feita em Kevlar, uma fibra polimérica da Dupont cinco vezes mais resistente que o aço, que além de ser apenas amarrada e não interferir na estrutura original, pesa absurdos 1.200kg (você pensou certo, o peso de um carro médio).
Para mim, como velho e cansado brasileiro, o fato mais chocante deste projeto é o custo previsto da obra, em míseros 1,3 milhões de euros, dinheiro que aqui seria suficiente para TALVEZ construir um ponto de ônibus. E dos mais simples, nada de sofisticação, hein? Por isso vou começar a guardar minhas moedinhas para ver se consigo conferir de perto o aniversário da ‘dama de ferro’.











