Acontece amanhã, dia 19 de maio, o lançamento do livro ‘Artacho Jurado – Arquitetura Proibida’ de Ruy Eduardo Debs Franco, na Saraiva do ex-Shopping Paulista, às 19hs. Para quem não sabe, Artacho Jurado foi um empreiteiro que, nas décadas de 30 e 40, driblou todo o elitismo do CREA junto aos arquitetos para espalhar pela São Paulo cinzenta edifícios residenciais lindos, coloridos e hoje em dia disputadíssimos.

Por não ter formação ou licença para assinar projetos, Artacho sempre fez uso da assinatura de terceiros para pôr de pé o que ele acreditava que faltava na cidade. São prédios revestidos de cima a baixo com pastilhas coloridas, em sua maioria rosa, com plantas de excelente dsitribuição, unindo o que havia de mais interessante do modernismo com a art nouveau e deco. Foi ele também que adicionou aos projetos residenciais as áreas comuns, hoje tão caras ao mercado imobiliário. Lançando teorias sobre o lazer comunitário, ele sempre incluía em seus projetos jardins, piscinas, saunas, bares e salões de festas. Caso típico é aquele imenso bloco envidraçado sobre o Edifício Viadutos no final da Av. Xavier de Toledo, que muitos compraram a uma nave espacial.

Com uma arquitetura extremamente formalista, que contorcias as leis modernistas de Le Corbusier, e atuando numa área super regimentada, Artacho foi desprezado pela crítica e sofreu represálias de arquitetos renomados, que o excluíram da história da arquitetura da época.




Recentemente, um movimento de valorização do vintage, que acometeu também o mercado imobiliário, fez com que suas obras voltassem a figurar entre as construções mais valorizadas da cidade. Além do Viadutos, temos outros edifícios muito conservados e conhecidos, como o Cinderela, na Rua Maranhão, o Louvre, na Av. São Luis, o Bretagne, na Av. Higienópolis e o Verde Mar, na orla de Santos.

Apenas mais uma curiosidade: a revista hype inglesa Wallpaper considerou o Edifício Bretagne um dos melhores para se viver no mundo.

(A primeira foto é do Ed. Louvre, e é minha. A segunda e a terceira são o Viadutos e o Bretagne, são do Claudio Zeiger e foram tiradas daqui. A última é o Verde Mar e foi tirada daqui. Mais fotos podem ser vistas aqui.)

Isso aqui está ficando repetitivo: mais uma inauguração de mais um prédio incrível de grandes arquitetos vencedores de um prêmio Pritzker (2001). Mas dessa vez com comoção mundial.

Neste final-de-semana, uma competição de atletismo abre oficialmente o estádio-símbolo das Olimpíadas de Pequim, conhecido como ‘Ninho’. Previsto para dezembro de 2007, o estádio chega com um pouco de atraso, mas ainda dentro do prazo, e surpreende pela mistura de fachada com estrutura com cobertura com tudo mais que se tem direito. A princípio ele seria coberto, mas parece que vai ficar aberto mesmo. Quem souber o motivo pode me escrever.

Mas para não ficar só nessa eterna redundância, digo que só postei esse projeto, que logo todos verão séries e mais séries de reportagens a respeito, para chamar a atenção dessa dupla: Herzog & de Meuron. Cada vez mais eles se especializam em projetos megalomaníacos bem sucedidos, alcançando o território em que Rem Koolhas foi conceitual demais, e Frank Gehry, egocêntrico demais.

Eles são responsáveis por outro estádio famoso, a Allianz Arena em Munique, feito para a Copa de 2006, junto com a empreiteira Arup, repetindo a parceria na China. O mesmo trabalho de volumetrias geométricas simples e texturas inovadoras também pode ser visto no fórum de Barcelona, na loja da Prada em Tóquio, e no meu favorito, o deslumbrante Tate Modern, em Londres.


Vale a pesquisa e o passeio na sua próxima viagem. Infelizmente, mais uma vez não achei a homepage dos suiços, então bom Google a todos.

O Prêmio Pritzker, o ‘Nobel’ da arquitetura, foi dado neste domingo para o arquiteto francês Jean Nouvel. Com 62 anos e uma carreira de fazer inveja a qualquer Niemeyer pela vasta abrangência de temas e locais, ele é hoje talvez um dos maiores ‘Starquitetos’ atuantes.

Seu primeiro grande projeto foi o Instituto do Mundo Árabe em Paris em 1987, com sua fachada tomada por muxarabis tecnológicos que controlam a entrada de luz natural no espaço interno. Desde então, o arquiteto foi chamado para toda sorte de projetos, como a Fundação Cartier, a Ópera de Lyon, o Centro Cultural de Lucerna, arranha-céus de Nova Iorque a Doha, e mais recentemente a primeira e inusitada filial do Museu do Louvre em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.



É ele também o arquiteto chamado para projetar a filial do Guggenheim em plena Baía de Guanabara, projeto que naufragou graças a um governo preguiçoso e aculturado e ambientalistas histéricos.

Apenas mais um arquiteto francês já tinha recebido o prêmio: Christian de Portzamparc, em 1994. Entre os jurados deste ano, estavam dois mestres também vencedores, o italiano Renzo Piano e o japonês Tadao Ando. Entre os brasileiros, temos também apenas dois: Niemeyer em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.